Mais uma vez ela vem se manifestar em nossos encontros...
Mas agora um detalhezinho chamou a atenção: aqui ninguém tem medo da morte!
A morte não é evitada, como nos outros textos que a gente viu, mas é encarada com naturalidade. Justamente por ser um evento corriqueiro na vida de nossos personagens, porque eles acreditavam que era possível conviver com os mortos.
A partir daí entramos na discussão sobre o medo da morte, que pra nós ainda é um tabu. E levantou-se a questão de que não temos necessariamente tanto medo da perda dos entes queridos, mas medo de morrer.
Esse fato é expressão do que afirmou Bauman, que as relações são líquidas, ou seja, os indivíduos não estabelecem mais laços tão rijos e duradouros como se observava no passado. Agora as pessoas (indivíduos líquidos) se ligam cada vez mais à materialidade e se distanciam umas das outras.
Também ilustra a tese de Bauman o fato de que já não observamos mais a vivência do luto (medo de ficar sem a pessoa que morreu), da forma como ele era vivenciado nos tempos de nossos avós, quando as pessoas eram mais dependentes umas das outras e pensavam mais na coletividade.
Atualmente, cada um pensa em si, em seus projetos. Não sobra tempo para carregar muitas lembranças ou relacionamentos densos.
Bem, foi mais ou menos isso que consegui "ler" do que foi discutido.
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6 comentários:
"Soneto já antigo
Olha Daisy: quando eu morrer tu hás de dizer aos meus amigos aí de Londres, embora não o sintas, que tu escondes a grande dor da minha morte.Irás de
Londres p`ra Iorque, onde nasceste(dizes... que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,
Embora não saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar, nada se importará... Depois vai dar
a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
raios partam a vida e quem lá ande!"
Enfim, a aula me fez lembrar essa poesia, é do Fernando Pessoa, ou melhor Álvaro de Campos, está na parte dois : Ninguém no Plural, do livro : Melhores Poemas Fernando Pessoa ( vale a pena ler, muito bom)
Beijos
só lembrei de vocês hoje a tarde...
frederico, meu passarinho, morreu.
tremi tanto que vocês nem imaginam. ainda estou tanto sem (re)ação que nem consigo pensar em nada direito, só lembrei logo das nossas aulas e a discussão sobre "perdas".
mas enfim, só pra compartilhar isso aqui mesmo.
e seguindo o ritmo das sugestões, eu lembrei do livro do Saramago "As intermitências da morte". A história da Morte que fica magoada com os seres humanos porque eles a detestam, então ela resolve parar de agir pra mostrá-los o quanto eles são ingratos.
Assim, é bem interessante esse romance, vale a pena ler e conhecer esse lado irônico e cheio de humor que o Saramago fala da vida.
Fica aí a recomendação =)
beijos.
Estava pensando na morte hoje mesmo. Uma das coisas que me assusta é não saber o q acontecerá depois q a gente morre.
Acho que a religiosidade tem um papel importante neste ponto. É muito melhor pensar que se vai para um lugar melhor do que pensar no fim da sua própria existência.
No texto aparecem muitas coisas que me fizeram pensar isso também.
esse tema existe apenas no pós-vida. não morre aquilo que não viveu. são funções distintas e consequentes: viver e morrer. se a morte persegue e faz da vida ânsia, é que ela também está viva, mesmo sendo desnecessária. morte a morte viva!
oi pessoal só compartilhando uma experiência. Fiz um estágio durante esse recesso em um hospital geral e durante os atendimentos de pacientes que estavam sofrendo de alguma doença terminal vimos a preocupação destas com as pessoas que iriam ficar sem elas depois que morressem e isso gerava uma angústia muito grande principalmente quando eram pessoas que dependiam financeiramente dos doentes. Achei interessante porque muitos estavam mais preocupados com os outros do que com eles mesmos nesse momento que deve ser tão difícil que é um estágio terminal de doença.
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