Começando com uma breve história, o Oscar Wilde teve uma vida bastante intensa que oscilou entre notoriedade com seus contos e livros (o de mais sucesso O retrato de Dorian Gray) e prisão sob acusação de homossexualismo (que também lhe rendeu o livro Balada do Cárcere de Reading). O Wilde era bastante envolvido com as questões sociais e criticava muito a burguesia britânica.
Agora, indo ao conto, nos deparamos com um foguete bastante antipático e presunçoso que vira e volta estava se gabando. Assim como o foguete que parecia alienado, o Rei também o era. Este que tocava apenas duas melodias da flauta sem saber qual delas eram, ainda assim recebia os maiores elogios de toda a corte, pois ele era O Rei. A diferença com o Foguete (notável?) é que os outros fogos também eram alienados em relação a ele, porque por mais que soubessem que ele era um metido mantinham certo misticismo quanto.
Mas o que seria essa alienação? Uma fuga da realidade? Talvez, pois como foi dito: “a realidade é dura”, e é preciso muitas vezes alterá-la para poder atravessar. Sublimar é até necessário, pontualmente, pois quando não só para atravessar o real causa problemas ao indivíduo. Todos buscamos algo notável, mas talvez o que o Wilde - sabe-se lá o que o autor pensara - queira mostrar nesse conto é as conseqüências disso.
E aí veio a pergunta que provocou o silêncio: “será que a gente não é notável?”. Por que não nos identificamos com os personagens do conto? Todos temos um pouco do Foguete e não nos enxergamos de primeira assim. Fazemos as coisas ao nosso redor mais voltado para nos mesmos do que para a realidade e assim satisfazer todos os nossos prazeres (minha vida que é importante). Alguém até citou: “fale de mim, mas fale”.
Assim, nos encontramos em constante produção de ser notável. É até estranho pensarmos, mas parece que essa noção de cuidado de si, de querer ser notável e/ou satisfazer-mos, rompe laços – apesar de bastante necessitados de relacionamentos, nos intimidamos e distanciamos de algo que poderia ser mais firme.
E quem quiser, que conte outra!
Até.
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7 comentários:
Será que nos dias atuais estamos rodeados de notoriedades instantâneas?Não acredito que o texto tenha tido a intenção de focar-se nesse aspecto, mas não seria o foguete um notório instantâneo?
Beijos
acredito que sim. o foguete era acendido, reluzia lindamente e depois expirava. pronto, foi notável por no minino alguns minutos. como as "novas celebridades" que nos aparecem sempre na televisão, Big Brother, por exemplo...
Mairlinha ser� que a gente vai alcan�ar a �poca do " meio segundo de fama"?...Acredito que 15 segundos j� vai ser algo muito s�lido
Notável?Ser notado?
Quando estava na sala 014 ,no encontro sobre o foguete ,me veio a idéia de como tornamos necessário a questão de sermos destaque...principalmente a partir de meios como o orkut,blogs,fotoblogs e(por que não?) o tal do currículo lattes(conhecido aqui em casa como o orkut acadêmico,kkk).
Por que é preciso nos tornamos públicos?Por que,para que temos que ser lembrados pelos nossos feitos ou lembranças,fatos correlatos a nós (como no caso do foguete que atribuia seu status pela descendência)?
Agora,não possso deixar de relacionar o foguetinho à história do O Estranho.Nos dois casos parece haver a tentativa constante de enobrecer a imagem dos personagens principais,para que fiquem marcados na história como dignos de algum mérito (que na "realidade" não ocorrera) ,encobrindo e modificando -para tanto- "os fatos". E percebo também ,que tanto o esforço do Berry como do tal foguete não tiveram efeito,pois no fim todos que estavam a sua volta dormiram ,não dando a menor importância...
Inicialmente tive raiva dele por ser tão patético, mas quando o vi jogado na lama tive pena dele...
Bruninha, nem sei viu...
e Dante, acho que sei como que é isso que você disse... sabe aquela história de A Pomba? E chegar em casa acabado, na lama...?!
as vezes acordo foguete//dia passa e desapareço//como toda fantasia
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