9 de fevereiro de 2008

Sennin

“Sennin: Na mitologia japonesa, o espírito imortal de um santo eremita que vive nas montanhas, capaz de realizar milagres devido aos incontáveis méritos adquiridos através de seu ascetismo.” Essa definição é a chave de todo o enredo fantástico de “SENNIN”.

"Sennin", apesar de ser um conto relativamente pequeno, demonstrou possuir uma boa base para reflexões (dessa vez não necessariamente a morte - alívio para alguns). Determinação, disciplina, a entrega da própria vida por acreditar numa crença, servidão, todas essas palavras foram inicialmente citadas e igualmente fazem parte do conto de Akutagawa Ryunosuke.

O Gonsuke não queria ser igual aos demais; seu objetivo estava em se tornar um "Sennin".

O nome “Gonsuke” (coincidentemente ou não) era o nome pelo qual um importante samurai japonês era conhecido (assim como o Gonsuke do conto, esse não era seu nome verdadeiro). Os trajes utilizados pelo personagem faziam parte da vestimenta tradicional dessa classe de japoneses “guerreiros”, os quais foram posteriormente aderidos à tradição japonesa formal.

vestimenta japonesa

Pulando um pouco as curiosidades vêm algumas colocações pertinentes. Assim como foi discutido na aula, será que Gonsuke já não era Sennin desde o começo? Alguns pontos do conto parecem contribuir para essa hipótese. Assim como a pequena história do Sennin e os carregadores de melão, Gonsuke, primeiramente, conseguiu convencer (ou iludir) o funcionário da agência de ‘COLOCAÇÕES PARA QUALQUER TRABALHO’ a descobrir uma família que o tornasse Sennin, apesar de isso não se tratar de um trabalho. Além disso, ao ser perguntado sobre o motivo de querer tornar-se um Sennin, o Gonsuke explica que mesmo uma vida de luxo não faria de um homem um ser imortal; todos iriam terminar em pó ao final de uma vida de ‘sonhos passageiros’. Esse tipo de pensamento é característico de um Sennin, o qual faz parte da definição acima citada.

O desfecho do conto acontece diante dos olhos do médico e da “Raposa velha”, no topo de um pinheiro, pinheiro este (objeto de contemplação para o médico) que já no início da história aparecia como pista para as respostas de como tornar-se um Sennin.

Pontos interessantes: por que a casa escolhida para “ensinar” Gonsuke a ser um Sennin foi a de um médico (aparentemente não muito bem sucedido)? No que a passagem daquele eremita fez mudar a vida do médico e da “Raposa velha” interesseira?

Por fim, ser Sennin é um feito para alguns poucos ou todos nós poderíamos também ser, a partir do pressuposto que a resposta para ser um Sennin está em valorizar tudo que está ao seu redor, mesmo o que parece ser algo simples, contando que possa lhe acrescentar algo, permitir o aprendizado, estabelecer contato com o novo e proporcionar novas experiências?

6 comentários:

Kleber disse...

essa conversa sobre o Sennin foi fantástica. as propostas da Dani para o grupo nos permitiu fazer coisas que até então não havíamos arriscado. incorporamos um tanto de sennin naquela manhã. acho que ele serve a isso; breves incorporações, mesmo que durem 20 anos. afinal o que são 20 anos quando se tem toda a eternidade? abraço!

Bruna_ disse...

Gostei muito da discussão!! E verdade as idéias de Dani foram muito interessante, me fez pensar muito sobre.:]




Beijos

Mairla disse...

gostei das curiosidades! e só lembrei da Bruna quando vi a roupa do samurai, ela dizendo que tava doida pra ver como seria essa roupa formal que o Gonsuke vestiu para se apresentar a familia e quando se passou os 20 anos. haha =)
e reforço o comentário sobre a Dani também.

engraçado que achamos que é bem melhor olhar as coisas simples que estão ao nosso redor, mas estamos sempre 'ocupados' com nossas coisas, o que temos que fazer, que não temos tempo, nossas preocupações que achamos super importantes, que esquecemos de parar um pouco e sentir. por isso, que tenho a sensação de que quando nos deparamos com um pôr-do-sol ou o nascer dele ficamos muitos extasiados. é algo que acontece todos os dias, mas nunca o vemos.
tive isso com um abraço hoje...

:* bejins

Párbata disse...

Pois é.....Às vezes a gente até que quer parar um pouco para aproveitar essas coisas simples, deixar-se levar por esse fluxo de experiências...Mas (não sei se isso somente acontece comigo) dá um pouco de "remorço" por isso, uma sensação de estar perdendo tempo....Tento constantemente deixar essa sensação de lado e buscar viver todas as experiências que sei que vão ser positivas para mim, nem que eu tenha que "correr pelo tempo perdido". Mas qual será o tempo perdido a recuperar de fato? Aquele no qual estamos tão ocupados com as coisas que nem temos tempo para ver o que está ao nosso redor ou aquele em que nos permitimos novas experiências, pessoas, sabores, aromas, arrepios de felicidade...??

Dani disse...

Adorei as informações adicionais, Párbata!!!!Acho que por um lado, pra mim, reforçam mais ainda a minha leitura-alucinação kkkkk
Ah, e fiquei pensando bastante na questão da experiência discutida em sala...será que existem mesmo pessoas que, no contato com o outro,são imunes às mudanças????Fiquei com essa questão, se entendi bem o que Kleber quis dizer...
bjos

Mairla disse...

pois é Dani, também fiquei com isso na cabeça. Não acho não que as pessoas não mudem nadinha quando em contado com outras. Sempre fica um pouquinho, porque a gente está sempre aprendendo. Podem ser coisas boas ou ruins, mas acho que ficam sim.