Mais uma vez em nossas aulas, surge como tema de discussão o medo, medo da morte para ser mais exata. O receio dos Fox terriers do Mr. Jones morrer remetia a uma previsão do que aconteceria a eles depois. Amizade baseada em interesses pessoais? Provavelmente... assim como muitas espalhadas por ai. Por interesse ou não, isso pode valer nossas vidas. Estar com amigos ou até em um grupo de desconhecidos nos dá mais segurança. Fato. Assim, temos mais de um olho em nós e olhamos por outras pessoas q não sejamos nós mesmos.
A outra visão do medo que foi debatida entre nós foi até onde este nos leva a fazer ou deixar de fazer coisas por temor à morte? Alguns deixam de sair à noite, outros deixam de ir ao médico e fazer exames, outros até têm quase uma neurose para atravessar ruas... agindo assim estamos deixando de viver para não morrer? Para isso criamos medidas (limites) que podem ser tanto individuais como padrões em uma sociedade, o que pondera os nossos riscos de vida. Aliás, talvez o que tenha faltado no tal do Mr. Jones tenham sido amigos “falantes” que o alertasse que a sua medida estava se excedendo.
Para finalizar, pensei muito em uma frase de efeito sobre a dita cuja, até que achei uma citação de Arthur C. Clark que me fez pensar, “nossa época é a primeira a prestar tanta atenção no futuro – o que é irônico, considerando-se que podemos não ter futuro algum”. Vale mais a pena estabelecer medidas e ouvir nossos amigos ou "viver intensamente"?
9 comentários:
Me lembrei desse textinho que eu tinha anotado há muito tempo e fui procurar para passar para vocês, acho que ele resume muitos pensamentos da aula de hoje.
Perguntaram ao Dalai Lama:
O que mais te surpreende na humanidade? E ele respondeu:
Oa homens... Porque perdem saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
e vivem como se nunca fossem morrer...
... e morrem como se nunca tivessem vivido.
Apesar de fazermos muitas coisas para fugir da morte fazemos também inúmeras que nos levam a ela, diariamente.
A morte é a única certeza que podemos ter!
bjoss
Diz um certo pensador francês o qual não lembro o nome que apenas atravessamos a margem do rio para olhar a nossa margem. Apenas olhamos o passado para perceber como somos hoje. Acho que aqui, pode se incluir o futuro também. Vou ousar completar a filosofia dizendo que apenas olhamos o futuro para entender nosso presente.
Parece que no final é só uma tentativa de entender o que somos.
Mas isso é so o que penso apartir do texto de aninha, já que nem fui pra aula.
:*'s
O texto de Aninha me fez pensar que o medo de morrer � tanto que para n�o morrermos passamos a ter medo de viver tamb�m.
Alimentamos a nossa conversa sobre as implicações em vida da morte, mas penso que a companhia seja algo, com o qual precisamos nos ocupar também. A amizade não nos ocupa como deveria. A morte pode ser uma certeza, mas ela não inviabiliza outras. Por um mundo convicto de que experimente é impreciso, mas necessário. Abraço!
Acho que talvez o que move algumas pessoas a tentar viver um pouco intensamente é o fato do medo da morte, o medo da perda, até mesmo dos amigos. e daí parte para muitas coisas que no final se pode dizer "vivi".
Ficar nesse conflito de medo e vontade de viver... talvez escape daí o que achamos que seja "viver intensamente"
"A vida e a morte estão já na mesma origem.O que existe entre elas é o tempo".(Schoenberg)
O que fazer do tempo,desse tempo que não sabemos quando acaba?
Será que o medo do inevitável (da morte)nos faz perder tempo,perder a vida?
Como aproveitar intensamente o tempo?
Acredito que ,para aqueles cuja morte representa o fim definitivo do ser(sem todas aquelas questões religiosas envolvidas,reencarnação,céu e tal),o medo da morte deveria promover um gosto pela vida. Já que é certo que um dia a vida acaba,por que não aproveitar?
Porém,a grande questão é:será que sabemos aproveitar? Muitas vezes não nos damos tempo para fazer o que gostamos ou simplesmente existem condições exteriores,valores que nos delimitam...Também somos craques em dizer:"não dá ,não tenho tempo.Tenho muitas obrigações,etc,etc..."
E o mais engraçado é que o ser humano pretende a todo custo aumentar sua durabilidade... Viver uns 100 anos...Pra que?Para cada vez mais poder adiar o tempo que destinaria para "realmente" viver?
E ,ainda tem mais:o que é realmente viver? Ter uma aposentadoria tranquila;estar rodeado de amigos na ilusão de uma certa"proteção",bem-estar?É ter uma casa bacana,um bom emprego? É a "Busca da Felicidade"?
A solução,sendo totalmente pretenciosa e nada humilde,seria eliminar o tempo...(pelo menos não pensar nele)Sem tempo,não haveria vida,não haveria morte...seria um grande continuum...não há início nem fim...
Paloma Côrtes (Devaneio lúcido total)
Bom minha gente...Não li os comentários que vocês postaram anteriormente, mas precisava contar uma experiência que me permiti nessa semana que passou...Como a temática do cão foi algo bastante singular (e acredito que todo mundo deve ter um medozinho de cão lá no fundo)resolvi testar se o meu medo de cachorro poderia ser vencido pelo menos num instante. No caminho que eu faço para ir à UFS tem uma casa com um cão enorme, que sempre fica solto pela manhã.Toda vez que vejo o tal cachorro, também atravesso a rua e vou para o outro lado. Mas semana passada reslvi mudar o script: continuei na rua e passei a menos de 1 metro do tal canhorro...Felizmente estou aqui para relatar um final feliz; estou viva !!
Bom, agora prometo que vou ler as mensagens e tentarei responder alguma coisa...
Até mais ver!!!
O que mais me tocou no conto, primeiro foi como o Quiroga descreveu a paisagem, de como estava o tempo,do pôr-do-sol... pude sentir a brisa, o sol, enfim, achei fantástico! Saindo da estética...o que me vinha à mente era a inevitabilidade da morte, e como ela foi concretizada e personificada no conto (os cachorros podiam de fato vê-la!) deu maior amplitude ainda a essa sensação de que ninguém pode escapar a ela. Eu tenho muito medo da morte...
Lendo as postagens, o que Paloma falou (“o medo da morte deveria promover um gosto pela vida”) realmente mexeu comigo... mas questiono o que significa para nós aproveitar a vida. Pelas coisas que já estamos cansados de ouvir em nosso curso - “as máquinas desejantes” - penso que toda essa teia que nos envolve – é... das relações de poder, biopolítica, etc., etc. – é a grande responsável por essas contradições. Já não sabemos limitar – se é que isso é possível – o que queremos ou que o que esperam de nós, e isso parece causar uma angústia de certa forma. E (lembrando de um artigo que li em Social I que falava sobre o risco) acho que essa teia realiza mesmo uma operação sobre o futuro: a presença do risco modifica o presente por antecipar o futuro.
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