O conto fala sobre um jovem casal que, apesar de parecer muito feliz, se suicidou. Tudo começa quando eles se mudam para Longjumeau, uma cidade do interior da França. Lá eles moraram por vinte anos na mesma casa e não receberam praticamente nenhuma visita, unicamente porque nunca pensaram em convidar ninguém. Nem por uma vez pensaram nisso.
O casal Fourmi sempre foi invejado, seu amor era intenso demais e todas as outras pessoas sempre quiseram o mesmo. Isso fazia com que parecesse inexplicável a morte repentina. No entanto, uma carta do jovem Fourmi à um amigo não mostrava uma alegria tão intensa quanto a que era vista pelos olhos alheios. Ele falava sobre as várias tentativas frustradas de ir visitar o amigo e estas não eram uma ou duas, estavam mais para dez ou vinte. Também mostrava sua irritação em não conseguir ir a nenhum compromisso. Era como se fosse um prisioneiro de Longjumeau, nunca conseguia se afastar da "maldita", como ele mesmo escreve na carta, cidade.
A narração do conto é feita pelo amigo que recebe a carta. Ele acredita em todas as coisas que o prisioneiro conta e sente que o casal realmente não consegue fugir de Longjumeau, mesmo fazendo um grande esforço para isso. O engraçado é que o casal prisioneiro é o mesmo que tinha paixão por viagens. É possível afirmar isso, pois antes do matrimônio, os dois já haviam percorrido o mundo. Ao se mudar para a casa, eles não conseguiram ir para mais nenhum lugar, por mais perto que fosse da cidade. Globos, mapas, atlas e planisférios recheavam o lar do casal que, mesmo que ninguém acreditasse, estava com as malas sempre pronta para uma viagem. O amigo narrador ainda fala que recebeu diversos avisos de viagens do casal, mas nenhuma foi realizada e conta uma tentativa de fuga em que o casal pula para dentro de um trem e apesar de terem conseguido, pularam no vagão errado...este não sairia da estação. A única viagem que o casal conseguiu fazer, depois da chegada em Longjumeau, foi a viagem que precisava do suicídio para acontecer.
Esse conto foi um dos que mais teve diferentes interpretações. Entre são bernardo e fatalismos a discussão mais importante era sobre a felicidade do casal. Eles eram felizes vivendo em um mundo a parte das outras, um mundo de apenas dois? Será que alguém consegue viver por vinte anos com a mesma pessoa e não sentir falta ou procurar pessoas diferentes? O casal podia ser tão feliz que não tinha vontade de ir para mais nenhum lugar e falava mentiras apenas para não magoarem outras pessoas?
Eu vejo que o afastamento do casal com o mundo social aconteceu apenas porque eles pensavam que ter um ao outro era suficiente. Depois de tantos anos vivendo com a mesma pessoa, a paixão não era a mesma, era preciso ver novos rostos, ter novas experiências. No entanto, o casal percebeu isso tarde demais e tentou voltar para o mundo antigo a todo custo, em vão. Depois de tantas tentativas de chegar ao mundo que já conheciam e sentiam falta não houve outra saída, a não ser, ir para um terceiro mundo, ainda desconhecido, mas que se sabia ser melhor que aquele em que há apenas um rosto diferente do seu.
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5 comentários:
verdade, esse conto foi um dos que mais teve diferentes interpretações, o que me fez fez pensar em dois aspectos: o fato de ser um conto fantástico e talvez o fato de que falar de relacionamentos continua sendo algo complicado.
Beijos
por isso mesmo, bruna. tocou no assunto relacionamento e ainda deixou muito aberto pra várias interpretações... pronto! fica logo difícil.
gostei muito dele. logo quando li tive uma angústia grande e fiquei pensando em nós mesmo quando queremos fazer algo e nos sentimos presos, a alguma coisa ou alguém.
e o tempo...! 20 anos, hoje a gente considera um tempo absurdo, mas acho que quando falamos de relações, o cronológico aqui não tem vez.
Folhei essas paginas do blog na ultima semana pensando em acrescentar alguma coisa à discussão. Nada me veio. Nada a não ser a incrivel sensação que não tenho nada a acrescentar sobre o assunto. Corri por outros blogs lendo coisas, mas alguma coisa vinha dizendo que algo ainda meprendia a este espaço, a estas letras y leituras.
Voltei só para marcar a idéia de que agente só consegue ir, quando deixa algo.
Sigam os caminhos das analogias de tijolos amarelos e venham onde dá.
Marcel Santiago.
reintero a ultima frase.
vejam onde dá.
Mas se quiserem, fiquem com o ato falho.
sair sem deixar algo, não é sair. não é possível. penso isso como Marcel. assim, depois do conto nas folhas e no nosso encontro, fiquei sem saber quem eram os prisioneiros. talvez seja um estado de prisão, a experiência de confinar-se numa causa, um amor e uma casa. parece um começo, mas não foi.
abraço!
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