1 de março de 2008

Uma promessa quebrada

Um dia meu pai me disse: “Menina, homem quando trai a mulher não pode dizer a ela não, senão lá se vai! É essa conversinha a vida toda!”.
Essa frase demonstra um pouco o tipo de discussão que se teve em sala de aula. Ficamos a nos perguntar por que os homens se comportam diferentemente das mulheres e vice-versa. Não conseguimos achar a resposta para a questão, mesmo porque esta é muito difícil de ser respondida com certeza.

No dia a dia percebemos apenas que a diferença existe, principalmente, quando se trata de relacionamentos amorosos. Tanto o homem quanto a mulher demonstram seus sentimentos de maneiras distintas, até mesmo quando sofrem por amor. Os homens tentariam esconder seu sofrimento (sem sucesso), enquanto as mulheres saberiam disfarçar melhor sua angústia. No mesmo caminho, também, pode-se encontrar a vingança. Como as mulheres tenderiam a reagir e a pensar diante da situação?

No texto, o homem promete à esposa, cuja morte era uma certeza, que nunca mais se casaria e realiza seus últimos desejos: ser enterrada com um sino embaixo da ameixeira que ficava no jardim. Um ano depois, ele quebra a promessa ao se casar com uma jovem de 17 anos. O espírito da falecida esposa, perturbado, passa a assombrar a jovem esposa quando esta se encontra sozinha em casa e a manda partir. A jovem aterrorizada, então, conta ao marido o acontecido, mesmo sendo avisada pelo espírito que as conseqüências disso seriam graves. O marido tenta acalmar a moça e pede a dois guardas que a protejam em seu quarto durante a noite.

A noite cai e a jovem volta a ouvir o sino do fantasma, tenta até chamar pelos guardas, mas não consegue. Os três estavam paralisados quando o espírito da mulher vem e arranca a cabeça da jovem. Na manhã seguinte, o homem encontra o corpo da esposa, segue o rastro de sangue e vê o fantasma segurando a cabeça degolada. Ele golpeia o fantasma que por sua vez desaparece, restando somente sua mão furiosa sobre a cabeça jazida no chão.

À primeira vista, a vingança da primeira esposa parece sem sentido. Por que matar a jovem? Não foi o homem quem quebrou a promessa?
Em sala, chegamos à conclusão de que ela realmente se vingou do esposo. Ela o deixou viver com a terrível culpa e solidão. Para a falecida, a morte teria sido simples. O preço da traição seria caro, já que ela não queria perder seu domínio sobre o homem e sobre a casa (caso contrário, por que ser enterrada no jardim?). A idéia de vingança da primeira esposa se mostra bastante fria, calculada e também bastante eficaz : vingou-se do marido e da jovem que ousou tomar seu lugar. Se pararmos para pensar, esse tipo de rancor realmente existe no universo feminino.

Embora tenha sido abordada de maneira macabra, a temática do autor é interessante para ser debatida. Espero para ver os comentários.

8 comentários:

Mayara disse...

Desculpem pela demora. Meu pc quebrou e tive que reescrever tudo na casa do meu namorado hehehe =)

Anônimo disse...

Acho que uma coisa que também fica clara no texto é a passividade dos homens frente as mulheres...É tanto que nas últimas linhas do conto,é resaltado que além das diferenças encontradas na prática de "vingança" entre os sexos,os homens pensam e as mulheres agem quando se trata desse assunto.
E uma questão que me veio agora: será que se a história fosse ao contrário(o samurai que estivesse morrendo e a esposa perante o seu leito de morte),o que aconteceria? Será que o marido iria se preocupar em saber se a esposa iria casar-se novamente?Será que os homens têm essa curiosidade?e será que ele,o samurai, iria pedir pra esposa fazer algum tipo de juramento ou isso é coisa da mente cruel das mulheres(kkkk)?
Espero a resposta dos rapazes...
Por enquanto é isso...

Kleber disse...

Ressalto, que essa discussão diz (pra mim) respeito a uma forma de funcionar (O Chico pode ser mulher). Assim a passividade acentua-se mais na forma-homem de ser. Essa forma, nesse quesito, se quer alienada do saber, mesmo sabendo. Mas também há a forma-amor, a forma-paixão, a forma-amizade que atravessam esse jeito masculino e fenimino de funcionar. Fomos rápido a ponto. Precisamos noutra hora retomar outras sensibilidades. Abraço!

Giselle disse...

A conversa em sala de aula me deixou surpresa, pois não imaginava que os homens tivessem uma maneira tão romântica de pensar...
Realmente as mulheres são mais vingativas que os homens, mais curiosas. Esses fatores com certeza contribuem para elas se preocuparem mais com a vida deles depois de terminado um relacionamento. Talvez nem seja porque ainda goste do parceiro e sim como disse em sala, por existir um sentimento de posse e controle sobre ele.
O pai de Mayara tem razão, os homens não devem contar para as mulhers caso as tenha traído, mas acho que isso também se estende para as mulheres, pois existe uma palavrinha chamada desconfiança, por mais que a pessoa diga que errou e se arrependeu da traição fica sempre uma pulguinha atrás da orelha, então é melhor nem saber, nem contar...
abçs

Dante disse...

vou deixar apenas duas sugestão filmícas de duas pérolas que assisti este ano: "Cão sem dono" (nacional) e "A professora de piano" (francês) pq acho que ambos são brilhantes neste exercício de explorar o universo afetivo do papel homem - especilamente cão sem dono - e do papel mulher - especialmente a professora de piano.

O primeiro "é uma observação de um relacionamento amoroso, escrita com as cores íntimas de um retrato de geração. Narra o encontro entre Ciro, recém-formado em Literatura, que passa por uma crise existencial marcada pelo ceticismo e pela falta de planos, e Marcela, uma ambiciosa modelo em início de carreira, que se entrega de forma obsessiva ao seu trabalho... " (http://www.dramafilmes.com.br/caosemdono/)

A trama do segundo gira em torno de uma professora de piano solitária, suas relações com a mãe, os alunos e um potencial amante...

abraço!

Mairla disse...

Como eu não queria ter perdido essa aula viu... =/
mas enfim, pegando dos comentários de vocês até aqui:
Mayara, seu pai me parece ser muito esperto viu(risos). Mas não acho que deva ser que nem Gyselle disse, que é melhor nem saber da traição, é não ter nenhuma confiança e respeito. Bem, deve ser porque prezo por muita sinceridade.
Dante, tinha me lembrado de cara de Cão sem dono. Definitivamente é um filme muito bom como Crime Delicado do Beto Brant que também aborda um relacionamento amoroso (!!); fala do ciúmes do sentimento, da mulher que se apaixonou, por outro homem.
Boas sugestões Dante! =)

beijos.

Marcel Santiago Soares disse...

Uma vez li um livro que se chamava " Os 9 sexos". Não lembro quase nada dele, há não ser o modo como ele passava por todos os sexos imbrincando-os. Homens-Mulheres (Chico), Mulheres-Homens (Cassia Eller?), Homens-Homens (Maguila), Mulheres-Mulheres (Não consigo pensar em um exemplo).

Dessa maneira acho sempre engraçado como essas relações -no sentido relacionamento mesmo- acontecem. De um lado vai ter sempre uma figura feminina ( não quer dizer que ela tenha que ter peitos necessáriamente). Do outro uma figura masculina (com ou sem pinto).

Alguem tem que ser forte, alguem tem que ser fraco. Alguem tem que ser sentimental, alguem outro tem que ser racional.

Seja lá como for, parece que nos relacionamentos não é lugar pra meio-termo. Só extremos.

Mairla disse...

gente, eu queria passar uma reportagem pra que vocês lessem e pra eu dividir essa agonia que me dá quando vejo uma coisa dessas!
não tem absolutamente nada a ver com que a gente tá falando aqui, mas não me contive kkkkk

matéria publicada no site da uol de Sebastião Montalvão de Goiânia: "Faculdade aprova aluno de oito anos no vestibular; OAB pede intervenção do MEC"

aqui o link: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/03/05/ult105u6285.jhtm


e outra matéria, que também é sobre educação, que li há um tempo do blog do Fernando Moreira: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/
(baixem a barrinha até encontrar a matéria lá no meio da página!)
"Ele não sabia ler, escrever e soletrar... Mas dava aula nos EUA!"

então, é isso :*
até!