13 de dezembro de 2007

Sredni Vashtar

Qual o poder da imaginação? Essa pergunta, apesar de soar piegas e lembrar filmes da sessão da tarde, me parece muito pertinente.
Depois de ler a his(es)tória de Conradin, acho que a imaginação tem um poder que esquecemos. Primeiro, o que fazemos todas as quintas-feiras às 07:00 se não discutir nossa imaginação acerca de algo. Ler um livro e tomar proveito daquele herói para o próprio prazer. Poderia encher um parágrafo de exemplos da imaginação, mas Freud escreveu 24 vol e não conseguiu dar conta, então não me sinto inclinado para tal feito. Não vamos tratar de clichês como “O Poder da Atração” ou “ A Força do Pensamento Positivo”, acho que é a imaginação aqui é mais do que isso.

Que tipo de imaginação ele esta falando? E porque ele teima em falar em imaginação se a história do guri é sobre sua relação com a prima?

Para quem perguntou: o tipo de imaginação que faz uma criança criar um Deus.

Agora, imaginem o que quiserem.



Marcel Santiago Soares

4 comentários:

Giselle disse...

Me parece que nosso "menininho" da história não é nem um pouco ingênuo.
Diante de uma dificuldade podemos fazer duas escolhas, até mais, porém aqui colocarei duas: escolher piorar a situação ou tentar melhorá-la.
Travar uma guerra com sua cuidadora com certeza transformaria a vida do menino num verdadeiro inferno, ele fez outra opção, arranjou um jeito para lidar com a situação de uma forma em que saísse menos prujudicado, criou seu próprio mundo, regido por suas leis e preceitos, assim conseguiu sublimar toda raiva que sentia por sua prima. Aí está uma boa maneira de usar a imaginação!!! E que cada um crie a sua! bjosss p todos.

Anônimo disse...

Muito mais que pensar a imaginação como modo de "fugir" de uma situação (como fez o Conradin),me veio uma questão nova:o carater individual e coletivo de um conteúdo imaginativo.
O que torna fantástico o conto Sredni V... é a criação desse "Deus doninha" e a devoção que o menino tem por este.Mas o que diferencia este Deus do Deus tradicional?
Nos dois casos,os Deuses têm um templo,tem um ar supremo,uma relação de amor e medo,há a devoção mas com um pouco de insegurança(como no caso em que o menino fez o pedido e não sabia se seria atendido)...
Tudo bem que o Sredni era uma doninha,mas e daí?Buda nasceu de uma flor de lótus,o Cristo nasceu de uma virgem,Deus não veio de lugar nenhum ...Assim,o que torna as religiões existentes menos fantásticas que a do Conradin?
Tá certo que tem toda essa história de construção social envolvida,dos fatores correlacionados ao surgimento e perpetuação destes valores,porém queria deixar claro que talvez o fato do menino ter criado,digamos,uma religião particular (o seu conteúdo)não seja TÃO fantástico assim...

Paloma Côrtes

Párbata disse...

Falou e disse minha irmã.....Conversamos um pouco sobre essa questão; acredito que depois disso ela escreveu seu comentário....Também compartilho da mesma idéia. O que seriam as religiões senão mera imaginação compartilhada por muitas pessoas?Muito fácil criticar o tal do Conradin e não criticar as próprias doutrinas nas quais (supostamente) acreditamos. ACREDITAMOS? Ou será que nos fizeram acreditar? Não me lembro de ter consentido em ser batizada (no meu caso, no catolicismo) e confesso que fiz 1° comunhão porque todos meus coleguinhas tinham feito...Todas as coisas referentes a isso foram postas como Verdade, e por mais que "nos fosse permitido" o direito de questionar (acredito que foi o tal do São Tomé - quem tiver mais conhecimento bíblico me auxilie), não nos sentimos corretos ao fazer isso...Pelo menos é dessa forma que vejo...Pode-se também aqui nesse texto substituir a palavra religião (e similares) por "ciência" que vai dar no mesmo.... Jogo então essa questão que sempre é remetida ao meu pensamento....

Dani disse...

Concordo com Paloma e Párbata...na minha releitura, permaneci com essa impressão de que o conto da margem para pensar que diante de situações sobre as quais não podemos explicar... a construção de um ser sobrenatural, perfeito, poderoso vem à tona! A ciência vai no mesmo caminho, ao dirigir sua devoção cega à metodologia. Corandin encontrou em seu deus uma forma de lidar com sua doença e com a incompreensão de sua prima. Um ponto só para salientar é que o deus que já conhecera – deus de Sra. De Ropp (ocidental) – parecia não satisfazer necessariamente esse objetivo de enfrentar a doença e a prima: segundo o próprio conto “os pequenos prazeres que podia inventar para si próprio ganhavam um sabor mais intenso com a probabilidade de estarem desagradando sua guardiã... (p. 439). Acho que além de querer desafiar por desafiar, o deus de Conradin dava-lhe uma liberdade de desejar e rogar o mal que não é oferecida por um deus caracteristicamente ocidental (oferecer a outra face) e, talvez, isso desse vazão a amargura que alguém teria em decorrência de uma vida privada por uma doença.